IITAA

O Instituto de Investigação e Tecnologia da Agronomia e Meio Ambiente (IITAA) desenvolve trabalho de investigação com o objetivo de perseguir estudos em diversas áreas, como a caracterização / previsão do clima insular e os efeitos das mudanças globais em comunidades do oceano para os to... Ler mais »

PROJECTOS

IMPACTO DO AZOTO EM EXPLORAÇÕES LEITEIRAS DA ILHA TERCEIRA

Agricultura e Produção Animal

2004 - 2007

Resumo

Os Açores são um arquipélago, situado no centro do Atlântico Norte, entre a Europa e a América, constituído por nove ilhas, totalizando uma superfície de 2332,74 km2 (SREA, 2001). O sector agrícola dos Açores desempenha um papel fundamental no seu Produto Interno Bruto (PIB), 29,5 % em 1983. Segundo o DREPA (1988) a participação do sector agrícola no PIB encontra-se dividida da seguinte forma: agricultura 37,1 %; silvicultura 0,5 % e pecuária 62,4 %.

Segundo as séries estatísticas de 1989 a 1999 o efectivo bovino era constituído, em 1985, por 176 414 bovinos e, em 1999, por 238 396 o que equivale a um acréscimo de 35,13 %. Em 1985, 69 057 eram vacas leiteiras e, em 1999, 98 688 o que corresponde a um aumento de 42,91 %. A par deste aumento tem-se verificado uma subida paralela na produção de leite de vaca entregue nas fábricas. Em 1989, foram entregues 61 818 623 litros, em 1995, 89 199 347 litros e, em 1999, a produção situa-se em 119 367 228 litros (SREA, 2001).

Os Açores, mercê das suas condições naturais, é uma Região vocacionada para a produção de bovinos leiteiros. Pelos dados acima referidos podemos verificar que nos últimos anos houve uma tendência para o aumento da intensificação e da produtividade, que foi acompanhada pelo crescimento significativo da utilização de fertilizantes, nomeadamente da utilização de azoto inorgânico. Estes aumentos levam a consequentes impactos ambientais com trocas do azoto agrícola entre o solo, a água e o ar.

Os efeitos nocivos da produção animal sobre o ambiente traduzem-se em duas formas principais de poluição, por um lado, a poluição atmosférica (Dióxido de Carbono, Metano e Azoto) e, por outro, a poluição da água e do solo (Azoto e Fósforo).

Na região Autónoma dos Açores, nomeadamente na Terceira, as pastagens e forragens constituem a maior fonte da alimentação das vacas leiteiras. A disponibilidade de pastagem para pastoreio, durante a maior parte do ano, constitui uma vantagem competitiva em comparação com outros países.

Thivierge et al. (2002) referem que um dos aspectos mais importantes a considerar numa exploração é a utilização eficaz do azoto alimentar para reduzir as perdas de azoto para o meio ambiente. Tendo em conta que as pressões ambientais são cada vez mais fortes sobre os sistemas de produção animal, o azoto excretado pelos animais pode contribuir para diferentes tipos de poluição: poluição dos lençóis freáticos e produção do N2O, contribuindo estas para alterações climáticas dado o efeito estufa e a produção de micro-partículas de sulfato e nitrato de amónia. Uma diminuição das quantidades de azoto ingeridas tem um efeito directo sobre as quantidades de azoto excretado. Segundo estes autores a adição de um suplemento proteico a uma ração deficiente em proteínas aumentou em 14 % a quantidade de proteínas secretadas no leite, verificando-se porém um aumento de 97 % de azoto excretado na urina.

Num trabalho, utilizando modelos para o metabolismo azotado, Kebread et al. (2002), citados por Lapierre (2002) estimaram que uma diminuição do nível de proteínas nas rações em cerca de 16 % baixaria a produção de amoníaco em 20 %. Evidentemente que uma tal redução deve fazer-se com conhecimento dos ácidos aminados que são necessários manter para evitar-se uma diminuição paralela da quantidade de proteínas secretadas no leite. Assim, o azoto tornou-se numa das principais áreas de inquietação, para agricultores e técnicos, devido ao forte impacto ambiental que tem nas explorações, nomeadamente a lixiviação dos nitratos por um lado e a volatilização do amónio e a desnitrificação por outro (Verbruggen e Nevens, 2003).

Os nitratos lixiviados podem estar relacionados exponencialmente com o azoto-excretado na urina e o conteúdo de ureia no leite. A variação óptima do conteúdo de ureia no leite situa-se entre 200 a 300 mg l-1. Os conteúdos elevados resultam em perdas elevadas, enquanto os conteúdos baixos, em produções baixas de erva e de leite (Verbruggen e Nevens, 2003). Simon et al. (1997) encontraram uma relação exponencial entre a fertilização azotada e os nitratos lixiviados.

Com o intuito de minimizar estes problemas tem-se investigado cada vez mais a ureia no leite como sendo um bom indicador dos fornecimentos de azoto ao ambiente (Jonker et al., 1998). Existe de facto uma boa relação entre a ureia do leite e o azoto excretado na urina. As emissões de amónia estão exponencialmente relacionadas com a quantidade de azoto excretado na urina (Kauffman e St-Pierre, 2001).

Este trabalho tem como objectivo principal fazer o ponto de situação das lavouras da ilha Terceira em relação à problemática das excreções de azoto, com o intuito de se saber onde nos encontramos relativamente às normas comunitárias sobre o assunto.

Para se atingir este objectivo propomo-nos determinar a excreção de ureia no leite em quinze explorações, da ilha Terceira, sujeitas a três níveis de adubação e complementos diferentes. Paralelamente, faremos o balanço azotado na pastagem, na relação antes e pós pastoreio, determinaremos ainda o conteúdo proteico da pastagem e dos nitratos no solo.

Uma vez que as adubações azotadas estão intimamente ligadas ao teor proteico das forragens e, sabendo que o seu teor é relativamente elevado nos Açores, pretendemos também determinar recorrendo à técnica in situ se, nas diferentes condições de adubação existem alterações de degradabilidade da proteína (proteína by pass).

COORDENADORES

Alfredo E. S. Borba
Diretor do IITAA

Equipa

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Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento

 FLAD – 322-1/04

 

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